Novas autoridades na Síria condenaram à morte quatro membros da família Assad, entre eles o ex-presidente deposto em 2024, após ofensiva do grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS). Durante as investigações para localizar pessoas ligadas a Bashar al-Assad, o governo sírio levantou suspeitas de que dois primos do ex-líder possam estar vivendo no Brasil.
Essa hipótese surgiu durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), realizada em Belém, no Pará.
A família Assad governou a Síria por 54 anos, de 1970 até a deposição do ex-presidente em 2024. Bashar al-Assad assumiu o poder em 2000 após a morte de seu pai, Hafez al-Assad. O golpe que resultou na saída do ex-presidente foi liderado pelo grupo rebelde Hayat Tahrir al-Sham (HTS), cujo líder atual, Ahmed al-Sharaa, já teve relação com grupos jihadistas antes de assumir uma postura de liderança formal no país.
Bashar al-Assad foi condenado por crimes de guerra e contra a humanidade após a guerra civil que teve início em 2011 com protestos contra seu governo e durou cerca de 13 anos. O julgamento ocorreu à revelia em agosto de 2024. Além dele, o irmão Maher al-Assad e dois primos, Atef Najib e Wassim al-Assad, também receberam sentenças de morte. Apenas os primos foram julgados presencialmente.
Bashar al-Assad e Maher al-Assad estão exilados na Rússia, ficando a execução das penas dependente da cooperação entre Moscou e Damasco.
Fontes da diplomacia e inteligência da Síria informaram ao Metrópoles, sob reserva, que membros da comunidade síria no Brasil teriam repassado informações à delegação síria liderada por Ahmed al-Sharaa em Belém, ligando os dois primos a suspeitas no país.
Um dos primos de Assad, irmão de Wassim al-Assad, condenado em agosto, teria influências na região de Latakia e participação em contrabando e tráfico no porto local. Ele também foi membro do Partido Baath e teve cadeira no Parlamento Sírio durante o governo.
O avanço da investigação no Brasil encontra obstáculos burocráticos devido à composição da Embaixada da Síria no país. Apesar da ruptura com o antigo governo, muitos funcionários permanecem ligados à administração deposta, dificultando a troca de informações oficiais.
As autoridades brasileiras consultadas, incluindo interlocutores do Ministério das Relações Exteriores e da Polícia Federal, afirmam que a possível presença dos familiares de Bashar al-Assad no Brasil não é tema sob responsabilidade direta da diplomacia local. Até o momento, não houve respostas oficiais sobre o caso.




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