A 5ª Vara Empresarial da Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência das empresas do Grupo Refit, antigo dono da Refinaria de Manguinhos. Os bens foram bloqueados e as contas bancárias das empresas Gasdiesel Distribuidora de Petróleo S/A, MG Distribuidora S/A, Manguinhos Química S/A e Refinaria de Petróleos Manguinhos S/A foram indisponibilizadas.
O Grupo Refit enfrentava problemas financeiros após ser alvo, em novembro de 2025, de uma grande operação contra sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, com prejuízos estimados em R$ 26 bilhões para os cofres públicos estaduais e federal. A empresa estava em recuperação judicial.
O grupo justificou seu pedido de recuperação judicial alegando impacto negativo causado pelo aumento do preço do petróleo e a valorização do dólar, o que elevou em 40% os custos dos insumos.
A decisão de falência foi assinada pelo juiz Arthur Eduardo Magalhaes. A data da falência foi fixada no nonagésimo dia antes do pedido de recuperação judicial. O grupo tem cinco dias para apresentar uma lista dos credores com detalhes dos créditos, que serão pagos conforme a lei.
O administrador judicial continuará sendo a empresa Preservar Administração Judicial, Perícia e Cons. Emp. LTDA. Com a falência decretada, todos os bens do grupo serão recolhidos e avaliados, e as contas bancárias permanecem bloqueadas.
O grupo, comandado pelo empresário Ricardo Magro, é o maior devedor de ICMS do estado de São Paulo. Em março, a Justiça autorizou a penhora de R$ 500 milhões em combustíveis da Refinaria de Petróleo de Manguinhos, após pedido da Procuradoria Geral de São Paulo, em meio a uma disputa por dívidas fiscais.
Investigações também apontam movimentação financeira suspeita de R$ 1,4 bilhão com o Banco Master, indicando possível lavagem de dinheiro. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras foram acessados pela CPI do Crime Organizado.
O grupo realizou operações financeiras complexas, movimentando mais de R$ 70 bilhões em um ano, utilizando empresas próprias, fundos e offshores, inclusive exportadoras fora do Brasil, para ocultar lucros. A rede financeira do grupo inclui empresas que operam como pessoas interpostas para dificultar a identificação dos beneficiários finais.
Entre 2020 e 2025, foram importados mais de R$ 32 bilhões em combustíveis pelo grupo, concentrados em empresas financeiras controladas por eles, com movimentação total superior a R$ 72 bilhões entre o segundo semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025.
O esquema financeiro funcionava como uma empresa mãe controlando diversas filhas, criando operações que dificultam a investigação.
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