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Ex-comandante da FAB revela temor de golpe e conflito entre tropas

Ex-comandante da FAB revela temor de golpe e conflito entre tropas
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Carlos de Almeida Baptista Júnior, revelou que o Brasil enfrentou um risco real de ruptura institucional após as eleições presidenciais de 2022, no final do governo de Jair Bolsonaro (PL). Ele afirmou temer um conflito entre as tropas das Forças Armadas devido à pressão intensa sobre os comandantes militares.

No livro recém-lançado “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista”, Baptista Júnior detalha bastidores das reuniões realizadas durante o fim do governo Bolsonaro. Nessas reuniões, ele e outros comandantes foram pressionados a participar de um plano que buscava impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o ex-comandante, o então presidente propôs alternativas para alterar o resultado das eleições e se manter no poder. A situação gerou tensão, especialmente diante da possibilidade de que integrantes do Exército adotassem medidas isoladas. Baptista Júnior destacou que se posicionou contra qualquer ação que ultrapassasse os limites da Constituição, posição compartilhada pelo então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes. Essa resistência foi fundamental para impedir que o plano avançasse dentro das Forças Armadas.

O ambiente de pressão aumentou nos últimos meses de 2022. Após a derrota de Bolsonaro, manifestantes apoiadores do ex-presidente concentraram-se em frente a quartéis, enquanto setores defendiam uma intervenção militar. O ex-comandante pontuou que havia receio de ações isoladas de militares, o que poderia provocar confrontos e uma crise institucional grave.

Ele também explicou sua decisão de não retirar imediatamente os manifestantes dos acampamentos em frente aos quartéis. Avaliou que uma intervenção naquele momento poderia causar violência e agravar a crise política do país.

Carlos Baptista Júnior já havia revelado anteriormente sua participação em reuniões que discutiram medidas para impedir a posse do presidente eleito. No novo relato, reforça que o risco de ruptura institucional era concreto e não apenas uma hipótese distante.

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