Economia

Empreender no Brasil pede um jeito diferente do Vale do Silício

Empreender no Brasil pede um jeito diferente do Vale do Silício
Foto: Georges Kalache Netto e Marcelo Mariano, fundador da Start51 Ventures, durante painel sobre os desafios de empreender e captar no Brasil, no Rio Innovation Week 2026.

O Rio Innovation Week 2026 recebeu cerca de 200 mil pessoas entre 4 e 7 de agosto, no Píer Mauá, Rio de Janeiro. Mais de 3 mil palestrantes, de 22 países, estiveram presentes, incluindo nomes como Malala Yousafzai, o Nobel de Medicina Edvard Moser e o neurocientista David Eagleman. Eles discutiram as mudanças econômicas, tecnológicas e sociais que alteram a forma de empreender e investir.

Georges Kalache Netto e Marcelo Mariano, fundador da Start51 Ventures, participaram de painel sobre os desafios de empreender e captar recursos no Brasil.

Durante o painel, debatemos como o ecossistema brasileiro enfrenta o desafio de crescer e captar investimentos sem replicar o modelo do Vale do Silício.

O Vale do Silício surgiu em um contexto com capital abundante, mercado consumidor unificado e estabilidade política, onde crescer rápido e queimar caixa são estratégias válidas.

Por outro lado, o Brasil vive uma realidade diferente: juros altos, mercado fragmentado, risco político, e investidores exigentes. O retorno esperado precisa superar a renda fixa, senão o dinheiro não aparece.

Copiar o modelo americano no Brasil é uma estratégia equivocada.

Muitos empreendedores brasileiros começam identificando um problema real do mercado e só buscam investidores após provarem que o negócio tem potencial.

Ao contrário do cenário americano, no Brasil, a venda para empresas estratégicas é mais comum que a abertura de capital.

Crescer a todo custo no Brasil é arriscado. O mercado de venture capital é pequeno e sensível às mudanças econômicas e políticas. A margem de lucro oferece segurança ao empreendedor para decidir quando captar ou vender o negócio.

O playbook brasileiro, embora não formalizado, já existe na prática. Baseia-se em identificar uma dor real, cobrar desde o início, construir margem, captar para acelerar o que funciona e preparar a saída estratégica.

Os maiores sucessos brasileiros vieram da adaptação à nossa realidade e não da cópia pura e simples do modelo americano.

Georges Kalache Netto é sócio fundador da Westwood Capital e colunista do portal Ric.

Este texto tem caráter informativo e não representa a opinião institucional da Westwood Capital ou do Grupo Ric. As opiniões são pessoais.

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