O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou que há mais de 90% de chance de que o fenômeno El Niño tenha uma intensidade muito forte ainda na primavera deste ano no Brasil. A partir de 22 de setembro, o país passará pelas condições típicas dessa estação, com chuvas acima da média em algumas regiões e agravamento da seca em outras.
De acordo com o Inmet, há 75% de possibilidade de que este El Niño seja o mais intenso dos últimos 76 anos, com base em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos. Especialistas ouvidos pela nossa reportagem explicam os impactos que o fenômeno pode causar no Brasil ainda em 2024.
Segundo as previsões climáticas, o país está em alerta para eventos meteorológicos extremos entre setembro e novembro, período em que o El Niño provoca instabilidade no tempo. O Sul do Brasil pode enfrentar temporais fortes, enquanto a Amazônia sofre com a seca, afetando também o agronegócio em várias regiões.
Wanderson Luiz Silva, meteorologista da UFRJ, destaca que “com a previsão de um El Niño muito forte na primavera e no verão, aumentam as chances de secas na Amazônia e no Nordeste, ondas de calor no Centro-Oeste e Sudeste, além de chuvas intensas no Sul do país. Este fenômeno está entre os mais fortes das últimas décadas”.
O especialista alerta para as chuvas acima da média no Sul, especialmente no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que já enfrenta uma situação de calamidade pública histórica em 2024.
Por outro lado, Norte, Nordeste e a região Central do Brasil — incluindo o Centro-Oeste, Minas Gerais e Espírito Santo — devem apresentar precipitação abaixo da média, o que pode agravar a crise hídrica.
O El Niño é parte do fenômeno chamado El Niño-Oscilação Sul (Enos), que representa mudanças na temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial e na pressão atmosférica. O Enos alterna entre três fases: El Niño (aquecimento do oceano), La Niña (resfriamento) e uma fase neutra, sem predominância de nenhuma delas.
Essas variações afetam os padrões climáticos e as chuvas em várias regiões do mundo.
Cleberson Ribeiro, pesquisador, explica que “eventos dessa magnitude impactam diretamente os preços, principalmente a longo prazo. O aumento dos custos de produção e transporte é refletido no valor final para o consumidor. Além disso, a escassez de produtos pode gerar alta nos preços”.
O pesquisador ressalta ainda que crises climáticas como esta evidenciam a dificuldade do consumidor brasileiro, pois os salários não são reajustados na mesma proporção da inflação, o que pressiona o orçamento das famílias ao final do mês.




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