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Como o atentado de 2001 transformou a imigração nos EUA

Como o atentado de 2001 transformou a imigração nos EUA

Os ataques de 11 de setembro de 2001 completaram 25 anos, representando um marco decisivo na história dos Estados Unidos e na forma como o país passou a lidar com a imigração. Além de acionarem uma resposta militar e antiterrorista vigorosa, esses eventos mudaram completamente a abordagem migratória americana, que passou a ser vista sob a ótica da segurança nacional.

Antes de 2001, a discussão sobre imigração se concentrava principalmente em aspectos econômicos, sociais e no controle das fronteiras. Após os ataques, o tema foi integrado aos mecanismos de segurança, resultando na criação do Departamento de Segurança Interna (DHS) e, consequentemente, do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), que hoje é uma das principais ferramentas usadas pelo governo para localizar e deportar imigrantes.

De acordo com Allan Gallo, professor de Economia e Direito Internacional da Universidade Presbiteriana Mackenzie, essa mudança foi profunda e duradoura. Segundo ele, pouco antes dos ataques, presidentes George W. Bush e Vicente Fox discutiam uma reforma migratória que foi logo abandonada após o 11 de Setembro. “O debate político migrou do foco econômico e social para a segurança”, explicou.

A infraestrutura criada depois daquele período não foi limitada ao combate ao terrorismo. Ela passou a sustentar operações mais amplas de fiscalização e deportação em massa, como as promovidas durante o governo do presidente Donald Trump. Nos anos anteriores ao ataque, cerca de 1,6 milhão de pessoas foram deportadas dos EUA; na década seguinte, o número subiu para aproximadamente 2,3 milhões.

Essa intensificação também refletiu no orçamento da fiscalização migratória, que saiu de US$ 4,3 bilhões em 2000 para cerca de US$ 12,5 bilhões em 2006. Quando Trump assumiu, em 2017, o ICE já estava consolidado, mas ele ampliou a atuação da agência, tornando-a central na política migratória.

A estrutura migratória passou por diferentes administrações, com Obama registrando mais de 2,7 milhões de remoções em seus dois mandatos. O presidente Joe Biden adotou medidas diferentes, mas manteve as instituições estabelecidas. No retorno de Trump ao poder, houve novo fortalecimento do ICE, com mais recursos e operações mais intensas de prisão e deportação.

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