O Banco Central (BC) anunciou que está preparando ações para frear o crescimento das dívidas das famílias no Brasil e proteger o sistema financeiro.
O alerta sobre o aumento da preocupação com o endividamento foi registrado na última reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) e reforçado por membros da autoridade monetária. “Considerando o crescimento de linhas de crédito com juros mais altos entre as dívidas das famílias, o Banco Central prepara ações para reduzir os riscos e garantir um crédito mais sustentável e um sistema financeiro mais forte”, afirmou.
O objetivo principal é incentivar a oferta responsável de crédito e reduzir o uso de modalidades com juros elevados, como o cartão de crédito rotativo e o empréstimo pessoal sem garantia.
De acordo com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, as medidas também buscam impedir que instituições financeiras cresçam de forma desequilibrada assumindo riscos excessivos, contando com prejuízos que não afetarão seus próprios balanços. “Queremos garantir um ambiente competitivo justo, evitando práticas que prejudiquem a governança e o atendimento à população”, disse durante o evento Febraban Tech.
Entre as principais medidas em estudo está o aumento do Fator de Ponderação de Risco (FPR) para linhas de crédito consideradas mais arriscadas.
Isso fará com que os bancos e fintechs precisem manter mais capital próprio reservado para oferecer esses empréstimos, tornando a concessão mais custosa e desestimulando ofertas agressivas.
Além disso, o BC planeja medidas para aumentar a transparência e evitar o uso inadequado do crédito, exigindo que as instituições informem claramente as condições dos contratos e orientem os clientes sobre produtos que melhor atendam seu perfil. “Queremos que os riscos sejam identificados cedo e que a oferta de crédito seja feita de forma mais responsável”, destacou o Comef.
O diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, ressaltou a necessidade de focar no endividamento das linhas mais caras, como cartão de crédito e consignado. “Esperamos apresentar medidas importantes nos próximos meses”, afirmou.
Dados do BC indicam que, em junho de 2026, quase metade das famílias brasileiras (49,8%) estão endividadas. Além disso, a porcentagem de famílias com a renda comprometida aumentou para 28,9% no mesmo período.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que a alta taxa de juros, atualmente em 14% ao ano, encarece o crédito, pressiona o orçamento das famílias e dificulta o acesso das empresas a financiamentos, em um momento de crescimento da inadimplência.
O Banco Central reforça que a elevação dos juros impacta especialmente famílias e empresas que dependem de linhas com taxas variáveis ou prazos curtos de pagamento.
Entenda a taxa de juros no Brasil
- A taxa Selic é o principal instrumento para controlar a inflação no país;
- O Comitê de Política Monetária (Copom) decide se a taxa sobe, cai ou se mantém;
- Ao subir os juros, o consumo e o investimento tendem a diminuir;
- Isso torna o crédito mais caro e reduz a atividade econômica, ajudando a controlar os preços;
- Porém, juros altos também aumentam o endividamento das famílias, que têm dificuldade para pagar suas dívidas.




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