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Toffoli pode estar ligado a fundo que recebeu 35 milhões de Vorcaro

Toffoli pode estar ligado a fundo que recebeu 35 milhões de Vorcaro
Foto: Toffoli é dono do Tayayá, resort cujo um dos sócios é o fundo que Vorcaro colocou 35 milhões. Foto: Gustavo Moreno/STF

Um relatório recente da Polícia Federal (PF) levantou dúvidas sobre a associação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o fundo de investimento chamado FIP Arleen. Este fundo recebeu um aporte financeiro de R$ 35 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

De acordo com a investigação, o FIP Arleen tem participação no Tayayá Resort, localizado em Ribeirão Claro, no norte do Paraná, empreendimento que tem ligação direta com Toffoli e sua família. Parte do dinheiro do fundo foi transferida para uma empresa localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecida por ser um paraíso fiscal.

O relatório, que contém 196 páginas, foi anexado ao inquérito que apura o caso do Banco Master. A PF identificou que o fundo recebeu inicialmente um aporte de R$ 20 milhões, seguido por mais R$ 15 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro. Mensagens interceptadas revelam que Vorcaro pressionava um familiar para acelerar os investimentos referentes ao resort.

A investigação aponta que o fundo foi, inicialmente, propriedade de Vorcaro, que posteriormente o vendeu ao empresário Alberto Leite, amigo de Toffoli. Antes da formalização da venda, em fevereiro de 2025, Vorcaro orientou a preparação de um contrato de venda que não revelava o nome do comprador.

Transferência de recursos para o exterior

Após a mudança de posse do fundo, o regulamento do FIP Arleen foi alterado para permitir investimentos fora do Brasil. Em dezembro de 2024, cerca de R$ 34 milhões foram transferidos para a empresa Egide I, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas. Segundo a PF, quase todos os ativos do fundo passaram a estar no exterior.

Hipótese de propriedade verdadeira

A partir da análise de documentos, transações financeiras e conversas interceptadas, a Polícia Federal levantou a hipótese de que Toffoli pode ser o beneficiário real do FIP Arleen. Há suspeitas de que outras pessoas tenham atuado como intermediárias para ocultar a verdadeira propriedade do ministro sobre o fundo e os recursos enviados ao exterior.

O gabinete de Toffoli negou as acusações em nota oficial, afirmando que o ministro nunca teve recursos no exterior, direta ou indiretamente, nem realizou operações nas Ilhas Virgens Britânicas. Também negou ter recebido qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seus familiares.

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