Em 2026, a política externa tornou-se um dos assuntos centrais nas campanhas presidenciais devido a tensões geopolíticas, disputas comerciais e ameaças à soberania nacional. Os candidatos à Presidência dedicam partes importantes de seus programas a temas internacionais, que abrangem desde o combate ao crime organizado até a exploração de minerais estratégicos.
O tema ganhou ainda mais importância depois das sanções e tarifas impostas pelos Estados Unidos (EUA) ao Brasil a partir do segundo semestre de 2025. Desde então, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, e seus adversários vêm explorando essas questões sob diferentes pontos de vista para conquistar votos.
Especialistas consultados pelo Metrópoles destacam que usar temas externos para ganhos políticos não é novidade e tem sido uma estratégia comum em vários países. Lideranças como Donald Trump, após o aumento das tarifas, e Vladimir Putin, no contexto da guerra na Ucrânia, também recorreram a essa tática.
Entre os principais desafios para o próximo presidente estão a relação com os Estados Unidos, a formação de alianças comerciais e a aproximação com países vizinhos. Além disso, questões como o combate ao crime organizado, a política para minerais críticos e o uso de plataformas digitais ganham mais relevância nas relações internacionais.
Segundo o professor do Departamento de Relações Internacionais do Ibmec, José Luiz Niemeyer, o próximo mandatário brasileiro deverá manter uma posição equilibrada entre as grandes potências, como EUA, China e União Europeia, especialmente num cenário global dividido.
O especialista acrescenta que, caso o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, vença as eleições, a tendência é buscar maior alinhamento com os Estados Unidos. Por outro lado, se Lula for reeleito para um quarto mandato, é esperado que a relação seja pacífica apesar das recentes tensões, principalmente pelo enfraquecimento do ex-presidente Donald Trump no Congresso e entre os republicanos.
Para aliados de Lula, o principal desafio será administrar a relação com os EUA, especialmente considerando a política de segurança nacional norte-americana que vê a América Latina como área estratégica. A Estratégia Nacional de Defesa dos EUA, documento que guia suas políticas militares, enfatiza a importância de manter os países da região alinhados aos interesses americanos, sob risco de medidas rigorosas.
Diante disso, o governo brasileiro tenta retomar o diálogo com os EUA após o aumento das tarifas em julho. A recente conversa entre Lula e Trump foi um passo nessa direção, mas a administração americana é vista como instável, o que dificulta manter negociações constantes.
No cenário eleitoral, temas como soberania, exploração de recursos naturais e segurança nas fronteiras são frequentemente usados como bandeiras pelos candidatos. A presença do presidente argentino Javier Milei na convenção que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro gerou atritos diplomáticos, após ofensas lançadas contra o presidente brasileiro.
Além disso, há preocupações sobre possíveis interferências estrangeiras nas eleições brasileiras. Recentemente, o governo impediu a entrada de dois assessores de Trump que planejavam visitar o país para questionar o processo eleitoral.




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