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Polícia Federal entrega cópia dos dados do celular de Vorcaro a Zanin e Mendes

Polícia Federal entrega cópia dos dados do celular de Vorcaro a Zanin e Mendes
Foto: Ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes receberam os dados do celular de Daniel Vorcaro. Foto: Antonio Augusto e Gustavo Moreno/ /STF

A Polícia Federal entregou nesta segunda-feira (14) aos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes uma cópia completa dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Zanin recebeu o material pela manhã e iniciou a análise dos dados, enquanto Mendes também confirmou o recebimento da cópia. Os ministros solicitaram o acesso direto à Polícia Federal após não conseguirem obter a íntegra do conteúdo com o relator do caso, André Mendonça.

No domingo (13), Zanin determinou que a PF entregasse o material até as 23 horas. Essa medida foi tomada depois que a Polícia Federal informou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que mantinha os dados sob sua custódia e poderia repassá-los aos ministros sem comprometer a cadeia de custódia.

Zanin e Mendes obtêm acesso ao celular após oferta da PF

Nos últimos dias, Zanin, Mendes e outros ministros tentaram obter os dados diretamente com André Mendonça, que afirmou que todo o material necessário para o julgamento já estava disponível, e que a divulgação integral do conteúdo poderia atrapalhar a sessão.

Posteriormente, a PF comunicou a Edson Fachin que podia fornecer cópias idênticas dos dados aos ministros, garantindo a preservação da cadeia de custódia, o que levou os ministros a recorrerem diretamente à Polícia Federal para acessar as informações.

Zanin alegou que é necessário analisar todas as mensagens enviadas por Vorcaro, e não apenas os recortes feitos pelos investigadores, antes de participar do julgamento. Ele também afirmou que não existe hierarquia entre os integrantes do Supremo e que as provas pertencem a todos os ministros.

Acesso ao celular gera tensão no Supremo

O acesso completo aos dados de Vorcaro tornou-se um tema controverso entre os ministros antes da sessão marcada para terça-feira. Gilmar Mendes alertou que um acesso desigual às informações poderia prejudicar a igualdade entre os ministros e a colegialidade do julgamento.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também defendeu que todos os integrantes do Supremo tenham acesso prévio à íntegra das informações necessárias.

O que está em julgamento

O STF analisará um relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. De acordo com o documento, Vorcaro enviou 52 mensagens a Moraes entre 2023 e novembro de 2025, período até sua prisão preventiva, indicando uma relação próxima entre os dois.

Entre as mensagens, há menção a um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Também consta que Vorcaro buscava informações sobre uma possível operação para prendê-lo, enquanto Moraes nega ter mantido contato com ele.

A Polícia Federal informou que não foi possível recuperar as respostas atribuídas ao interlocutor do ex-banqueiro.

O julgamento também envolverá um pedido da PGR para anular o relatório da PF, alegando que Mendonça avançou nas investigações sem comunicar a presidência do STF ou pedir autorização ao plenário.

Mendonça retirou o sigilo do relatório e levou ao plenário a decisão sobre a abertura de uma investigação contra Moraes.

Em contrapartida, Moraes apresentou um documento indicando que Mendonça poderia estar direcionando a Operação Compliance Zero para atingir adversários políticos. O material não foi assinado pela PF e tem indicação de que se trata de conjectura sem valor probatório.

Moraes solicitou investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O pedido está agendado para julgamento em 23 de setembro.

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