Daniel Vorcaro, banqueiro, teve conhecimento antecipado sobre uma operação da Polícia Federal que resultou na sua prisão em novembro do ano passado, conforme apurado pela PF. As informações constam em inquérito tornado público pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 10 de setembro.
A Polícia Federal afirma que Vorcaro tinha acesso a nomes importantes, como o do juiz responsável pelo caso e membros da equipe de investigação, mesmo enquanto o processo estava sob segredo de justiça. O banqueiro foi preso inicialmente no aeroporto de Guarulhos, ao tentar embarcar em seu jato particular rumo ao exterior.
Em seu celular, Vorcaro anotou nomes de delegados da Polícia Federal, agentes e procuradores da República que participaram de reuniões sigilosas no Banco Central, além de identificar com antecedência o juiz e a Vara Federal responsáveis pela assinatura das medidas contra ele. O investigado chegou a questionar alguém não identificado sobre uma possível relação próxima com o juiz federal Ricardo Soares Leite, que determinou sua prisão.
Segundo o inquérito, em 16 de novembro de 2025, não havia razão legal para que Vorcaro conhecesse o nome e a jurisdição do juiz responsável pelo caso, que ainda era sigiloso.
O ministro André Mendonça retirou o sigilo da investigação a pedido do presidente do STF, Edson Fachin, permitindo acesso às informações por parte dos demais ministros da Corte. A decisão ocorreu após divulgação de um relatório da Polícia Federal sobre suposta troca de mensagens entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Nas conversas, Vorcaro cogitou fuga caso fosse preso e solicitou opinião do ministro.
Em mensagem enviada em 15 de novembro, dois dias antes da prisão, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, demonstrando conhecimento antecipado dos desdobramentos da operação.




Deixe seu comentário