Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Juventude Sem Terra realizaram um protesto nesta quinta-feira (13) em frente à Embaixada dos Estados Unidos, localizada na Asa Sul, em Brasília. Durante a manifestação, o muro da embaixada foi pichado com mensagens contra a política externa dos EUA.
O MST declarou que a ação foi uma “intervenção” contra a indústria da guerra e o imperialismo norte-americano. Participantes usaram roupas com estampas camufladas e acessórios que lembravam o personagem Tio Sam, associado aos Estados Unidos. Também chamava atenção o uso de narizes de palhaço e símbolos norte-americanos modificados.
Durante o ato, foi queimada uma bandeira dos Estados Unidos com alterações nas estrelas e nas listras, que passaram a ter desenhos de caveiras e mísseis, simbolizando a crítica do grupo às guerras promovidas pelo país.
A Embaixada dos EUA classificou o vandalismo como inaceitável e comunicou que acionou a Polícia Civil e a Polícia Militar para investigar o ocorrido. Em nota à imprensa, ressaltou o compromisso em manter o diálogo com o povo brasileiro e a segurança de seus funcionários e instalações, destacando que as atividades consulares seguem normalmente.
O protesto acontece em meio a uma tensão diplomática crescente entre Brasil e Estados Unidos. Um dos motivos dessa crise é a demora do governo brasileiro em conceder o agrément para o nome indicado pelos EUA a embaixador no Brasil, Daniel Perez. O Senado norte-americano aprovou sua indicação em 7 de agosto, mas o governo brasileiro ainda não confirmou a nomeação, aguardando o resultado do segundo turno das eleições presidenciais.
Em retaliação, o governo dos Estados Unidos revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, medida que tem sido interpretada como resposta à demora brasileira na aprovação do embaixador. Apesar disso, autoridades no Planalto avaliam que a relação entre os dois países já enfrentava dificuldades antes dessa decisão.
O presidente Luis Inácio Lula da Silva classificou a revogação do visto como uma atitude irresponsável, indicando preocupação com os desentendimentos entre Brasil e Estados Unidos.




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