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MP solicita investigação sobre denúncia da ValeCard contra Grupo Monte Carlo

MP solicita investigação sobre denúncia da ValeCard contra Grupo Monte Carlo
Foto: Reprodução/Defesa Civil

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitou a abertura de investigação sobre denúncias feitas pela ValeCard contra o Grupo Monte Carlo, que atua como transportadora e possui cerca de 70 postos de combustíveis em oito estados brasileiros.

Evandro Ornelas Leal, promotor de São José do Rio Preto (SP), pediu à Polícia Civil que apure uma suposta fraude que pode chegar a R$ 4,2 milhões. O caso está sob responsabilidade do Núcleo dos 3º e 7º Distritos Policiais da cidade.

A denúncia, apresentada em 1º de julho pela Trivale Instituição de Pagamento, responsável pela ValeCard, aponta que veículos da transportadora abasteciam nos postos da mesma empresa, prática considerada comum, mas com suspeitas de irregularidades.

Segundo a ValeCard, a fraude consiste no fato de que alguns abastecimentos não teriam ocorrido de verdade. Uma auditoria da empresa revelou, por exemplo, que um caminhão abasteceu em São José do Rio Preto às 12h04 e, menos de seis horas depois, o mesmo veículo teria abastecido em Nova Mutum (MT), local distante mais de 1,2 mil quilômetros, trajeto que levaria cerca de 20 horas.

Também foram questionados volumes de combustível incoerentes, como o abastecimento de mais de 200 litros em uma picape com tanque para 53 litros.

A auditoria analisou mais de 14 mil transações entre abril de 2015 e outubro de 2016. Cerca de 4,6 mil operações ocorreram na Rede Monte Carlo, movimentando mais de R$ 4,2 milhões, e ao redor de R$ 3 milhões dessas operações foram antecipações financeiras.

A ValeCard acusa o Grupo Monte Carlo de usar essas operações para transformar créditos em recebíveis financeiros antes da transportadora entrar em recuperação judicial em 2016.

O Grupo Monte Carlo nega veementemente as acusações, afirmando que não foi notificado oficialmente sobre qualquer investigação e que as alegações de fraude, simulação de operações e existência de grupo econômico são infundadas e já foram rejeitadas judicialmente.

Segundo o grupo, a semelhança no nome das empresas não configura fraude nem abuso da personalidade jurídica. Eles também afirmam que processos anteriores contra a ValeCard resultaram em decisões favoráveis ao grupo, com execução em andamento por descumprimento das obrigações por parte da empresa de pagamentos.

A Polícia Civil poderá instaurar inquérito e, após a investigação, o Ministério Público poderá oferecer denúncia, solicitar novas diligências ou pedir o arquivamento caso as acusações não sejam comprovadas.

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