O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou que, em 2025, 1.024 crianças indígenas de até 4 anos morreram no Brasil, um aumento de 11% em relação a 2024, quando foram 922 óbitos.
Destes, 586 casos, o equivalente a 57%, foram causados por motivos que poderiam ter sido evitados, conforme critérios do Ministério da Saúde.
As principais causas incluem doenças preveníveis ou tratáveis, como gripe, pneumonia, infecções intestinais, diarreia, gastroenterite, desnutrição e problemas nutricionais.
Os estados que concentraram a maioria das mortes foram Amazonas, Roraima e Mato Grosso, com juntos 57,3% dos casos. Amazonas liderou com 306 óbitos, seguido por Roraima (158) e Mato Grosso (123).
Além disso, a maioria das vítimas (52,6%) eram meninos, totalizando 539 crianças.
Entre os fatores que contribuem para essas mortes está a falta de acesso a água potável e saneamento básico, especialmente em comunidades indígenas. Muitas famílias dependem de fontes de água naturais sem controle de qualidade, aumentando o risco de infecções intestinais e agravando a desnutrição infantil.
O relatório também destaca a degradação ambiental causada por garimpo, mineração e uso de agrotóxicos, que contaminam rios e nascentes em Terras Indígenas, principalmente nos estados do Amazonas, Pará e Mato Grosso.
Exemplos incluem a TI Krahô-Kanela no Tocantins, onde o uso intensivo de água para irrigação de plantações causa escassez de peixes e compromete a segurança alimentar; a TI Guyraroka no Mato Grosso do Sul, com contaminação de águas por agrotóxicos, provocando surtos de doenças em crianças e idosos; e a TI Waimiri-Atroari entre Amazonas e Roraima, que enfrenta poluição por mercúrio, chumbo e arsênio devido à mineração.
Essa realidade evidencia a desigualdade no acesso à saúde. Doenças como pneumonia e diarreia, que são tratáveis, ainda resultam em mortes por falta de diagnóstico precoce, vacinação, hidratação, acompanhamento nutricional e atendimento adequado.




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