Moradores do Alto da Serra, em São José dos Pinhais, enfrentam desafios diários para voltar às suas casas. Eles precisam pagar pedágio e percorrer mais de 30 quilômetros pela Serra do Mar devido ao fechamento de retornos na BR-277 usados pela comunidade.
A comunidade, que conta com cerca de 300 famílias, relata que acessar serviços básicos no bairro Borda do Campo ou no Centro de São José dos Pinhais envolve passar pela praça de pedágio, com custo de R$ 24, além do trajeto maior até suas residências.
Antes, tinham um retorno no km 56 da BR-277, embora não seguro, que facilitava o acesso. Com seu fechamento, e também do retorno no km 49 encerrado no ano passado, os moradores precisam usar um retorno mais distante no km 41, em Morretes, aumentando o percurso em 20 km em trecho difícil.
“Sei que pode acontecer um acidente no retorno, mas estamos andando 20 km a mais em um trecho de serra. Nosso risco fica cada vez maior”, relatou um morador. Outro acrescentou: “Mensalmente gasto cerca de R$ 1.500 com pedágio e deslocamento para o retorno, que totalizam 34 quilômetros”.
Além dos custos, a população enfrenta transtornos devido a acidentes e bloqueios na rodovia. Uma moradora comentou: “Imagina passar todos os dias em frente à sua casa sem trânsito e demorar horas para chegar porque ficou presa na serra, em acidente ou deslizamento”. Outra lamentou: “Simplesmente nos abandonaram”.
Posição da concessionária
A EPR Litoral Pioneiro, responsável pelo trecho, informou que o fechamento dos retornos atende recomendação do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Rodoviária Federal, visando a segurança no local, onde a visibilidade é prejudicada pela neblina, aumentando o risco de acidentes.
Explicou que os retornos fechados não obrigam o pagamento de pedágio, já que a praça está localizada no km 60 da BR-277, após as passagens fechadas.
O programa de investimentos da concessionária prevê a construção de três viadutos/passagens em desnível entre a praça de pedágio e o retorno atual no km 40, para garantir retornos seguros. A entrega está prevista para meses entre 2028 e 2029.
Sobre a tarifa, a concessionária destacou que há isenção para motos, veículos oficiais e de emergência, além de descontos para usuários frequentes. Com o Desconto Usuário Frequente (DUF), a tarifa pode reduzir de R$ 24 para R$ 10,56 após a trigésima passagem no mês.
As associações de moradores tentaram isenção tarifária via Justiça, sem sucesso, com as decisões privilegiando o DUF como medida justa para os usuários.
A empresa ressaltou que os moradores, ao seguirem para o litoral, não pagam tarifa e podem usar benefícios em viagens até Curitiba, mesmo percorrendo mais de 30 km.
A EPR declarou estar aberta ao diálogo e busca soluções que assegurem segurança e bem-estar para as comunidades afetadas.




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