Milton Lívio Lemos Salles, juiz do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, foi afastado das suas funções após ser visto consumindo vinho e fumando em meio a uma audiência virtual. O caso ocorreu na última segunda-feira (10) e gerou grande repercussão nas redes sociais.
Nas imagens divulgadas, o magistrado aparece bebendo diretamente da garrafa de vinho e usando um maçarico para acender um cigarro. Com a repercussão das imagens, o TJ-MG decidiu afastar o juiz por unanimidade em sessão extraordinária na terça-feira (11), atendendo a uma recomendação do corregedor-geral Raimundo Messias Júnior.
Além do afastamento, o juiz teve suspenso seu acesso aos sistemas internos, o direito de entrar nas dependências do tribunal e de usar veículos oficiais. Também houve suspensão do porte de arma de fogo, com notificação às autoridades responsáveis. Uma sindicância foi aberta para investigar os fatos, que está em sigilo.
O TJ-MG destacou que os processos antes sob responsabilidade de Milton Lívio Lemos Salles serão redistribuídos e que um juiz de primeiro grau assumirá suas funções provisoriamente.
Regras para audiências virtuais
O comportamento do magistrado fere normas internas do TJ-MG, que exigem decoro e vestimenta compatível com audiências presenciais. Segundo as orientações, os juízes devem manter um ambiente neutro e evitar qualquer ato desvinculado da sessão virtual. O Conselho Nacional de Justiça reforça a necessidade de manter o mesmo nível de respeito e conduta das audiências físicas.
Críticas feitas após afastamento
Após ser afastado, Milton Lívio Lemos Salles publicou um vídeo em que declara ser vítima de difamação e faz críticas ao Supremo Tribunal Federal, ao Superior Tribunal de Justiça, ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais e ao ministro Alexandre de Moraes. No vídeo, o juiz chama essas instituições de “corruptas” e cita supostos casos de corrupção envolvendo integrantes do Judiciário e a compra de veículos oficiais.
O magistrado também questiona a estrutura atual do Judiciário, afirmando que o tribunal funciona quase exclusivamente por meio de computadores e que os prédios estão vazios, gerando custos desnecessários.
Embora as acusações tenham sido feitas publicamente, não foram apresentadas provas documentais que as sustentem. O juiz destacou que tem 36 anos de magistratura e está disposto a falar sobre o assunto publicamente. Enquanto isso, a sindicância do TJ-MG continua apurando a conduta do magistrado durante a audiência.
A reportagem segue à disposição para ouvir a defesa do juiz, caso haja manifestação oficial.




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