O governo brasileiro acredita que o diálogo retomado com os Estados Unidos, por meio da ligação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na sexta-feira (21/8), abre caminho para renegociar as tarifas impostas sobre produtos brasileiros após as eleições presidenciais.
De acordo com nota divulgada pelo Planalto, Trump endossou a retomada das negociações comerciais entre os países. O presidente Lula solicitou o telefonema e buscava a aprovação do republicano para avançar na negociação do tarifaço, o que foi obtido. Trump concordou com a importância de manter laços comerciais fortes e sugeriu reuniões entre equipes para dar andamento às discussões.
Logo após a conversa, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, contatou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, para agendar uma videoconferência sobre o tema.
As tarifas adicionais, de 25% e 12,5%, haviam sido impostas após investigações do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A tarifa menor acusa o Brasil e outras economias de não combaterem adequadamente o trabalho forçado, enquanto a maior é direcionada ao Brasil por supostas práticas comerciais injustas.
Essa medida elevou a tensão entre os países, com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmando que o presidente Lula não negociou de boa-fé. Em resposta, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, qualificou os comentários como grosseiros e arrogantes.
Para o governo brasileiro, a taxação tem motivações políticas, já que os EUA mantêm superávit com o Brasil.
Apesar do avanço no diálogo, fontes vinculadas ao presidente Lula avaliam que mudanças efetivas nas tarifas são improváveis a curto prazo, devido à proximidade das eleições presidenciais no Brasil e à cautela dos EUA.
Se o candidato alinhado ao governo americano, Flávio Bolsonaro, vencer, a política externa dos EUA na América Latina pode se fortalecer sob Trump. Caso Lula seja reeleito, a expectativa é de abertura para negociação das tarifas.
O mandato atual de Trump termina em janeiro de 2029, e ele não poderá concorrer novamente. Assim, mudanças nas tarifas até as próximas eleições brasileiras são consideradas pouco prováveis.
A ligação reforça a disposição do Brasil em manter o diálogo aberto. Segundo membros do Executivo, a aproximação entre Lula e Trump reduz a influência de forças contrárias à relação bilateral.
Fontes do governo avaliaram a conversa como positiva e sem conflitos, destacando elogios de Trump à trajetória política de Lula. O presidente americano também afirmou que Lula pode contatá-lo sempre que necessário.




Deixe seu comentário