O empresário e ex-apresentador de TV Fernando Antônio Dorne, conhecido como o “Homem do Chapéu”, foi indiciado pela Polícia Civil do Paraná em Cascavel por crimes que incluem estupro coletivo, assédio sexual e extorsão contra funcionárias de sua empresa.
O inquérito foi conduzido pela Delegacia da Mulher de Cascavel e finalizado recentemente, sendo encaminhado ao Ministério Público do Paraná. Além de Fernando Antônio Dorne, outros três homens ligados à mesma empresa também foram indiciados por estupro coletivo, sendo que dois deles já estão presos.
A investigação envolveu depoimentos de cerca de 38 pessoas, entre vítimas, testemunhas e ex-funcionários, bem como a análise de documentos e outras evidências.
Esquema de abusos e ameaças
De acordo com a delegada responsável pelo caso, Graziela Lopes, as investigações revelaram um esquema que combinava abusos sexuais e corporativos, articulados com violência física e abuso do poder hierárquico exercido por Dorne.
Os relatos indicam que o empresário realizava atos sexuais sem consentimento, muitas vezes valendo-se da posição que ocupava para impor tais condutas. Também foram registrados casos de toques de natureza sexual sem permissão.
Além dessas práticas, as trabalhadoras eram vítimas de extorsão, pois eram obrigadas a repassar parte do salário sob ameaça de demissão ou transferência para locais com menor remuneração.
O inquérito também apontou indícios de assédio moral e irregularidades trabalhistas, que foram encaminhados ao Ministério Público do Trabalho para as devidas providências.
Outras investigações e situação atual
Fernando Antônio Dorne já era alvo de outra investigação relacionada ao recebimento de imagens íntimas de crianças, por meio de uma professora da rede pública de ensino. Em julho, o empresário foi preso suspeito, mas teve liberdade concedida em agosto, mediante uso de tornozeleira eletrônica.
O novo indiciamento refere-se aos abusos cometidos contra as funcionárias de sua empresa e encontra-se em fase de tramitação judicial.
Defesa se posiciona
O advogado de um dos investigados, Ruan Cavalaro, afirmou que considera o indiciamento prematuro e pediu cautela, ressaltando que perícia técnica ainda está em andamento e que poderá apresentar provas favoráveis aos investigados.
A defesa destaca que o processo corre em segredo de justiça e que os indiciados mantêm a presunção de inocência até eventual decisão final. Segundo o advogado, há indícios de que motivações financeiras e pessoais estão por trás das acusações apresentadas.
O posicionamento oficial da defesa alerta para a necessidade do respeito ao devido processo legal e afirma confiança na justiça para o esclarecimento completo dos fatos.




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