Desde o dia 3 de setembro, a União Europeia (UE) colocou um embargo às carnes brasileiras, afetando diretamente o agronegócio do Paraná. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), essa medida pode causar um impacto financeiro bilionário se não for revertida em breve.
O Paraná lidera como maior produtor e exportador de carne de frango no Brasil. Em 2025, o estado exportou para a Europa cerca de US$ 392,2 milhões, especialmente nos setores de avicultura e bovinicultura de corte, o que equivale aproximadamente a R$ 2 bilhões em reais.
Ao todo, foram exportados 118,7 mil toneladas de carne de frango e 1,4 mil toneladas de carne bovina para o mercado europeu. Só no primeiro semestre deste ano, o Paraná enviou à UE cerca de US$ 224 milhões em carne de frango e US$ 4,6 milhões em carne bovina.
Luiz Eliezer Ferreira, técnico do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, destaca a importância do mercado europeu. “Embora represente apenas 5% das exportações do Paraná, a União Europeia é uma vitrine importante por suas exigências sanitárias rigorosas, servindo de referência para outros países.”
O embargo da UE atinge produtos como carnes bovina e de frango, mel e outros itens de origem animal. A justificativa da União Europeia é que o Brasil não conseguiu comprovar o controle do uso de medicamentos antimicrobianos na cadeia produtiva para garantir a segurança dos produtos.
O Sistema FAEP enviou um ofício ao Mapa solicitando ações para cumprir as exigências europeias. O Paraná é uma referência nacional no controle sanitário agropecuário, tendo sido reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como área livre de febre aftosa.
Luiz Eliezer Ferreira ressalta que o problema não está na segurança da carne brasileira, mas na adequação a um novo protocolo europeu que exige certificação de ausência de antimicrobianos na cadeia produtiva.
Apesar das perdas imediatas, há esperança de reverter o embargo ainda este ano. Técnicos da União Europeia realizam auditorias no Brasil desde agosto, avaliando a possibilidade de retirada dos vetos em curto a médio prazo, conforme a cultura envolvida.
Entre abril e maio, o Mapa publicou portarias proibindo a importação, fabricação, comercialização e uso dos antimicrobianos questionados. Segundo Luiz Eliezer Ferreira, a expectativa é que o Brasil retome a lista de exportadores para a UE até novembro, especialmente porque o ciclo de produção na avicultura é curto e rastreável, diferentemente da bovinicultura.




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