O Ministério da Saúde recebeu uma proposta de fornecimento de medicamentos à base de canabidiol, sem licitação, avaliada em até R$ 626 milhões. O documento foi enviado por Roberta Luchsinger, empresária e lobista, a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que era chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O plano detalhava a entrega de 1,2 milhão de frascos de 36 tipos de remédios. A proposta foi encontrada nos celulares de Roberta, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, apelidado de Lulinha, e de Antonio Carlos Camilo Antunes, chamado de “Careca do INSS”. Os três são investigados pela Polícia Federal por suspeitas de tráfico de influência.
Em julho, a Polícia Federal solicitou autorização ao Supremo Tribunal Federal para investigar Lulinha por supostos crimes relacionados à corrupção e tráfico de influência em negócios de cannabis medicinal.
Segundo o inquérito, a empresária teria sido contratada por Careca para facilitar a compra de canabidiol pelo governo, com a intermediação de Lulinha. A compra, entretanto, não foi concluída.
A Polícia Federal encontrou mensagens que confirmam o envio da minuta de contrato a Marcola. Ele reconheceu ter recebido o arquivo, classificando a ação como inadequada, mas afirmou que não deu andamento ou negociou o contrato no governo.
A proposta foi elaborada pela equipe de Careca do INSS, que está preso por envolvimento em um esquema de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social.
Além dos depoimentos, a investigação apreendeu um termo de referência, um manual técnico que orienta contratações públicas, que seria entregue para agilizar a compra. Áudios revelam que Roberta e Careca planejavam usar dispositivos da nova lei de licitações para justificar uma dispensa, alegando cenário de emergência e evitando o processo licitatório tradicional.
A apuração também indicou que o lobista buscou fornecedores nos Estados Unidos e na Colômbia, e teria planejado reuniões com técnicos do Ministério da Saúde.
O Ministério da Saúde esclareceu que a proposta não resultou em nenhuma ação prática, destacando que o canabidiol não faz parte da lista padronizada do Sistema Único de Saúde e que a pasta nunca comprou ou negociou esse produto para a rede pública.
Especialistas afirmam que o Ministério realiza compras pontuais apenas para cumprir decisões judiciais, via importação direta. As defesas dos envolvidos não se manifestaram até o momento.




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