O governo federal prevê que até 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão afetadas pela nova tarifa anunciada pelo país norte-americano. Conforme informou o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias, esse percentual corresponde a US$ 7,4 bilhões para o ano de 2024.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) garantiu que o governo lançará um programa de apoio para os setores econômicos prejudicados pela medida. A sobretaxa de 25% será aplicada a partir de 22 de julho e atingirá produtos brasileiros exportados aos EUA.
Participaram da coletiva de imprensa os ministros Márcio Elias (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Dario Durigan (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores), João Paulo Capobianco (Meio Ambiente), a secretária de Justiça Maria Rosa Guimarães e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Geraldo Alckmin classificou a tarifa como uma medida injusta e destacou que, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos tiveram superávit comercial com o Brasil, e não déficit. Ele também mencionou que o governo estuda aplicar a Lei da Reciprocidade para responder às barreiras impostas unilateralmente.
O ministro Mauro Vieira afirmou que essa decisão dos EUA se deve ao fato de o Brasil não ter cedido às pressões norte-americanas. Após o anúncio das tarifas, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, culpou o governo Lula pela imposição, acusando-o de não negociar de boa-fé. Essas declarações foram rejeitadas pelo governo brasileiro.
As tarifas foram impostas após investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais brasileiras que afetariam os EUA. Tentativas de negociação entre os dois países não reverteram a decisão.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que o Brasil acionará os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade e levará a questão ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A lista de exceção apresentada pelos EUA inclui produtos essenciais para a cadeia de consumo americana, como café, carne bovina, peixe, terras-raras e laranja, que não serão taxados. Contudo, produtos como maquinário agrícola, ferramentas, calçados, vestuário, etanol e certos produtos químicos estarão sujeitos à sobretaxa a partir de 22 de julho.




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